Exposição "Jardins da Alma"

Quem nos conhece sabe a importância que damos à partilha... partilhar histórias e conhecimento... partilhar arte e momentos!


Este artigo é sobre uma partilha, uma entrega e uma paixão. Dedicamos este artigo à exposição 'Jardins da Alma' de Ana Maria Pas.



"'Jardins da Alma é o olhar de uma vida, refletindo momentos de introspeção e puro encanto pela Mãe Terra. Uma viagem interior através da pintura, para curar a alma e o corpo, invocando a energia da Natureza" (Ana Maria, 2021).



Ana Maria Pas, filha de pais portugueses, nasceu e cresceu no Brasil.


Pintora, artista plástica e harpista, inaugurou a sua exposição no Programa Recarga através de momentos de música e poesia invocando sentimentos de harmonia para com a vida, como a paz, o amor, a fé, a alegria.


Estivemos à conversa com a Ana e decidimos partilhar, para que possam conhecer o ser humano cheio de luz que ela é ✨.




Quinta do Condestável: "Ana Maria, de onde surge este gosto pela música e pela pintura?"



Ana: "O Brasil tem a particularidade de na escola lecionarem 4 horas de aulas por dia. O meu pai queria que eu e os meus irmãos nos ocupássemos um bocadinho e não ficássemos o dia inteiro a ver televisão. O meu irmão escolheu piano e eu a harpa. Andávamos 1 hora de caminho para que eu pudesse aprender a tocar. Eu sempre gostei de desenhar. Enquanto estávamos no Brasil, pretendia ser engenheira agrónoma, mas depois quando cheguei a Portugal passou-me essa ideia, nós até tínhamos um quintal, mas o que realmente gostava era de desenhar. Quando cheguei ao 9ºano decidi que ia seguir artes."



Quinta do Condestável: "Então surge aqui a sua paixão pela pintura que retrata muito os traços da natureza e do meio ambiente. Terá isto a ver também com a sua a infância, através da ambição de seguir engenharia agrónoma que acabou por não seguir ?"



Ana: "Eu não vivia no campo, o que é engraçado. O meu pai no Brasil tinha comprado um terreno, uma mata que até tinha plantas virgens e a gente só ia lá de vez em quando. Se calhar hoje tinha mais vontade de ser Engenheira Agrónoma do que na altura. As artes chamaram-me e inscrevi-me num curso, eu não sabia bem o que é que eu queria, mas sabia que gostava de artes. Fiz o secundário e concorri para Belas Artes, entrei em Pintura e fiz o curso todo a pensar se tinha mesmo jeito para isso ou então não. Os meus colegas mais velhos diziam que um dos professores nos mandaria para casa coser meias se não tivéssemos jeito, então passei o ano todo a pensar "ele vai me mandar para casa"." (Risos)



Quinta do Condestável: "Fez a sua formação, continuou nas suas pinturas e lança aqui esta exposição. Sei que temos aqui muitas das suas obras já mais antigas, certo?"


Ana: "Sim, as que estão nesta sala são as mais antigas, mas eu tenho um portfólio com todas as pinturas."


Quinta do Condestável: "Reparamos que a Ana pinta muito a natureza, qual a sua ligação, o que sente pela natureza?"


Ana: "Eu vivo num sitio de natureza, vivo no campo, as flores e as coisas sempre me chamaram à atenção, é uma coisa minha. Apanhava as florzinhas do campo e fazia um ramalhete, juntava cascas e outras coisas. E talvez por ser professora de artes isso faz-me muito sentido, as texturas, as formas e as cores. Além de que, no passado tive um princípio de depressão e as flores ajudaram-me muito, talvez seja uma parte mais espiritual minha. Se estivermos de mente aberta a natureza traz-nos tanta coisa, às vezes é necessário passar pelo mesmo sitio várias vezes, mas a natureza cura."



Quinta do Condestável: "Das pinturas que temos aqui expostas, fale-me de uma delas, do que lhe transmite, quais são os sentimentos e as emoções? Qual a obra a que mais se entregou enquanto pintava?"


Ana: O quadro "A Natureza cura 1". Pintei-o à beira da praia, em Cascais. Como estávamos numa altura pandémica fomos para um sítio onde não estava ninguém, no meio de umas pedras e de umas árvores, e lá comecei a pintar.

Enquanto pintava pensei "isto não faz muito sentido, mas está bem" e continuava a pintar, apenas ia sentindo e fazendo, só no final surge aquela espiral e aí fez sentido. Depois pensei que aquele quadro nos mostrava a natureza a curar-nos. Tinha na altura acabado de fazer um curso de coaching e tinha várias ideias na minha cabeça, esta foi uma daquelas pinturas que me deu prazer é uma pintura com muita vida."



Quinta do Condestável: "Fale-nos um pouco daquela obra que tem o índio que nos acompanha."


Ana: "O índio é o Tafkiar, é de uma tribo de Pernambuco. Conheci-o através de um amigo brasileiro que conhecia um índio. Pedi-lhe para ele arranjar junto desse índio umas lendas, porque quando estava no meu quarto ano de curso, portanto antes destas pinturas, eu tinha feito uma paragem e tive a minha filha, passados 2 anos decidi acabar a licenciatura. Quando voltei estava completamente perdida.




Entretanto, quando chegou o Carnaval, fui para o terraço e preparei telas. Comecei a pintar. Peguei nos índios e nas lendas, foram a minha inspiração até ao final do ano, isto já à alguns anos.


Esse meu amigo, mais tarde, diz-me que conhece uma outra tribo. Então falei com o nativo dessa tribo e ele fala-me da mensagem de trazer o homem branco de volta à sua essência.




Achei a forma dele se expressar bonita e pedi-lhe algumas lendas ou histórias, porque gostava de fazer algumas pinturas que podia ajudá-los. A verdade é que os nativos estão a passar necessidades agora, eles não podem vender o seu artesanato e dependem de quem lhes deixa lá alguma coisa. Então o que ele fez foi enviar-me músicas, 4 músicas e ele explica-as. Eu pensei agora vou pintar as mensagens das músicas, não sabia bem como, mas pintei e até retratei o próprio nativo. Este quadro em que ele surge tenta explicar o que é a civilização e o que é a parte da natureza que eles estão a cuidar, basicamente eles tratam bem da natureza e nós estamos a destruir o nosso lado, mas lá no cimo vamos nos unir e encontrar a nossa essência, todos juntos, que é o que eles querem, que nos unamos e que olhemos para as coisas de outra maneira."



Quinta do Condestável: "Porquê a exposição 'Jardins da alma', porquê esse nome?"



Ana: "Jardins por causa das flores e porque no ano passado quando acabou o ano letivo dei a cada uma das funcionárias da escola onde estava um quadro com o nome delas, este quadro tinha as bases da "Autobiografia", um dos quadros que se encontra na receção.


Este quadro diz que no meio da tempestade e dos espinhos do caminho, elas foram as flores do meu jardim e o sol. E dei a cada uma delas um quadro, algumas ficaram emocionadas e eu também, mas era verdade, elas eram as flores.


Mais tarde, enquanto estava a montar a exposição fui à procura de outros quadros que tinha. Quando os fui buscar não sabia que tinha escrito uma mensagem sobre cada quadro, à cerca de 20 anos atrás.


Estava a passar tudo a limpo e chego ao último quadro, encontro uma mensagem minha a dizer que iam ser 21 quadros, 7 pequenos, 7 médios e 7 grandes, e que a exposição se iria chamar "Jardins da Alma", fiquei do tipo "caramba, eu sabia o que queria à 20 anos atrás e não me lembrava!" E depois fez sentido, porque as flores do meu jardim era o jardim da alma, era o jardim que eu fui cultivando e à medida que conhecia pessoas elas passavam a fazer parte deste jardim, eram meus amigos, era mais do que sentimento."



Quinta do Condestável: "Ana, se lhe pedisse para descrever de forma simples o que pinta e o que toca, o que me diria?"


Ana: "É preciso abrir a mente para receber o que temos à nossa volta, na natureza, na arte, na música e em tudo o que nos rodeia."



Já dizia Henry David Thoreau.. "It's not what you look at that matters, it's what you see."



A conversa com a Ana reforça algo que temos vindo a falar, reforça a importância de abrir-mos a nossa mente... de nos entregar-mos e de confiarmos no processo!



Permita-se a descobrir... permita-se a viver... mas a cima de tudo permita-se a ser feliz!



Para mais informações sobre a exposição, contacte-nos pelo email info@quintadocondestavel.com e pelo contacto 927 401 435.














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